De olho no
Brasil
País concentra
a atenção de investidores internacionais que vêem no mercado nacional,
até então adormecido “em berço esplêndido”, terreno fértil para plantar
bons negócios e colher muitos lucros
Viviane Mottin
Ele estava
adormecido em berço esplêndido...Mas, uma onda de calor no comércio
interno, somada à estabilidade política-econômica, despertou o gigante.
Agora, o Brasil desponta como mercado atraente para os grupos
internacionais de investimento que percorrem as principais bolsas de
valores e mercados do mundo à procura de bons negócios e muitos lucros.
Em 2007, o
Brasil ficou à frente da China na atração de recursos diretos da União
Européia. A injeção de euros no país foi de € 7,1 bilhões, contra € 1,6
bilhão na China. Rússia e Índia receberam, respectivamente,
investimentos da ordem de € 17,1 bilhões e € 10,9 bilhões. Consultores
do varejo de moda e outros analistas festejam o resultado, mas ressalvam
que é preciso equilibrar expectativas ponderando as peculiaridades do
mercado local.
Paula Sá,
operadora de ações da Win - Alpes Corretora de Câmbio, afirma que o grau
de investimento recebido de duas agências de classificação de risco
confere ao país o selo de qualidade que faltava para grandes fundos
investirem nas empresas já listadas em bolsa, como Americanas e Renner,
por exemplo. Na sua opinião, a vinda de créditos externos de boa
qualidade, não especulativos, também incentivará redes varejistas a
optarem pela abertura em bolsa, a fim de captar recursos a custos
menores – já que a taxa de juros brasileira ainda é uma das mais altas
do mundo.
O sinal verde
dado pelas agências de rating abriu ao mundo um mercado consumidor com
muito potencial. "Os grupos estrangeiros e os fundos querem investir em
mercados emergentes e jovens, e o Brasil possui 92 milhões de pessoas
entre 15 e 35 anos", avalia Edson D'Aguano, da Consultive – Gestão de
Marcas. Além de amplo, há largas faixas da população que não foram
incorporadas ao consumo de bens não-básicos, detalha Claudio Felisoni,
presidente da FIA e coordenador geral do Provar.
Outro motivo
que traz mais cifrões ao País é a saturação de alguns mercados: os
Estados Unidos, pela crise de crédito, e a Europa Ocidental, pelo
envelhecimento. "Grupos europeus e americanos sondam diretamente
empresas varejistas locais", revela D'Aguano. "A competição entre
grandes redes em seus países de origem é acirrada, por isso buscam
plataformas de venda em maior escala. Este mercado será disputadíssimo",
assegura Felisoni.