Gustavo Lins conta sua experiência na alta-costura
francesa

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INTERNACIONAL - ESTILO

Quase dois anos após ter sido convidado para integrar o calendário da alta-costura, o estilista faz um primeiro balanço e explica que nem tudo são flores

A alta-costura de Gustavo Lins
Silvano Mendes, de Paris

Camadas sobrepostas

Os ares do cangaço pairaram durante o desfile de Gustavo Lins na semana francesa da alta-costura, no último mês de julho. Como sempre, o designer - único brasileiro na Câmara Sindical da Alta-Costura de Paris, uma das principais instituições do mundo da moda -trabalhou de maneira sutil.

Enquanto a influência de Lampião e Maria Bonita podia ser sentida nos gibões de couro, os cinturões de alguns modelos também remetiam a armaduras de samurais japoneses. Aliás, quem acompanha o trabalho do estilista sabe que o Japão sempre fez parte de suas referências. Ele mesmo disse, certa vez, que « os kimonos, com seus drapeados, sua base plana e praticamente sem costuras, fazem um verdadeiro link entre a arquitetura e a escultura”. E é exatamente o diálogo entre essas duas disciplinas que o criador, arquiteto de formação, busca a cada coleção.

Volumes estudados

No entanto, não é apenas de desafios estéticos que vive o designer. Quase dois anos após ter sido convidado para integrar o calendário da alta-costura, o estilista faz um primeiro balanço e explica que nem tudo são flores. « Ganhamos muita visibilidade. Os desfiles atraem a atenção de muita gente e recentemente fomos chamados para falar do meu trabalho no Brasil, o que foi bem interessante », relembra Gustavo, que participou do seminário Fashion Marketing em São Paulo no mês de abril a convite de Gloria Kalil. « Mas, por outro lado, temos uma série de compromissos que não tínhamos antes, como os gastos com comunicação e a obrigação de desfilar a cada temporada ».

Os modelos assinados pelo brasileiro já podem ser encontrados em 21 pontos-de-venda pelo mundo afora, apenas dois deles no hemisfério sul. Gustavo é consciente do valor elevado de suas criações, onde os vestidos podem chegar na casa dos € 6 mil. « Temos uma linha de imagem muito prestigiosa. Mas tudo é fabricado na França, o que torna as peças muito mais caras », pondera. « E isso é muito dificil para uma empresa como a nossa, que não faz parte de nenhum grupo e não conta com capital externo ».

Leia mais sobre a experiência do brasileiro Gustavo Lins na edição impressa nº 91 do World Fashion

 

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